O rendimento do título público brasileiro de 10 anos superou 13,91%, à medida que os mercados globais de dívida soberana enfrentam pressão decorrente de choques energéticos em escalada e de uma retórica cada vez mais desafiadora vinda de Teerã. Os investidores agora estão precificando os efeitos inflacionários do Brent se estabilizando próximo de US$ 100 por barril, depois que Mojtaba Khamenei afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado, forçando uma reprecificação das expectativas para a taxa de juros e intensificando os temores de uma crise energética global.
No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil lida com um mercado de trabalho resiliente, com o desemprego em 5,4%, o que ameaça adiar o ciclo de afrouxamento originalmente sinalizado para 18 de março. Embora os juros reais elevados continuem atraindo fluxo estrangeiro para operações de carry trade, o forte salto nos preços da ureia, desencadeado pelo bloqueio marítimo, representa uma séria ameaça à produtividade agrícola e à estabilidade dos preços dos alimentos no país. Ao mesmo tempo, os mercados estão cada vez mais atentos à deterioração da credibilidade fiscal, após concessões políticas que direcionaram gastos para projetos regionais em detrimento das metas de superávit primário anunciadas anteriormente.